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quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

PROVAÇÃO

Ó Senhor... tu sabes o que me falta.
Conheces a extensão do meu vazio,
Pois foste tu que enjaulaste
Em mim esta fome.
 
Mas eu tenho que aprender a viver faminto
Na tua presença.

NOVO CAMINHO

Jesus, o Senhor, está chamando,
Sua voz ecoa sobre a terra;
Podemos ouvi-la nos altos cumes,
Nas profundezas que o mar encerra.
 
Ele preparou um caminho
Que todos podem palmilhar,
Caminho que nos leva a Deus,
Basta nele querer entrar.
 
Vamos pôr, então, na estrada o pé,
Juntar-nos a multidão de santos,
Seguir juntos na esperança e na fé,
Para a glória de Deus entoando cantos.
 
Vislumbramos ao longe, no horizonte,
O brilho da Nova Jerusalém,
Água límpida a jorrar de sua fonte
Para saciar a sede dos que creem.

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

TUA PALAVRA

Não posso afastar-me, nunca, de tua palavra, ó Senhor!
Ela é o porto seguro onde busco ancorar o navio de minha dúvida.
Tu a puseste ao alcance de cada homem,
E a ela podemos sempre retornar após um dia difícil.
 
Eu a quero ao meu lado, constantemente,
Meu coração sempre disposto a buscá-la,
Ainda quando a dúvida vier nele a se instalar.
Destarte, meus ouvidos estarão atentos à tua voz.
 
Tua voz, tua palavra, purifica-me de toda impureza,
Aconselha-me sem cessar e jamais me abandona.
Com a tua palavra preencherei cada espaço vazio do meu coração,
Com ela combaterei as trevas que avançam.
 
Fala comigo, então, ó Senhor, sempre que eu te buscar.
Não emudeças, não permitas que ande em círculos;
Nunca jamais me abandones.
Pois meus pés apressam-se para o mal,
E o meu coração busca sempre o que não lhe convém.
 
Porém, se eu escutar a tua voz não estarei sozinho
Combatendo a lei do mal em meus próprios membros.
Abrirei as janelas para que entre a tua luz, permitirei que me ensines.
E isto é tudo o que exiges de mim:
Que eu te ouça, que não feche meus ouvidos.
 
“Se quereis perguntar, perguntai. Voltai, vinde!”

PASSAGEM

- E a vida, como vai?
- É só uma fase. Vai passar.

PRESENÇA

Lendo o Salmo noventa tive um vislumbre da glória do Senhor.
Ele habita em luz inacessível, no âmago da escuridão silenciosa;
Para ele o universo entoa sua canção e toda a vastidão do cosmos vibra,
Pulsa em cadências de fantásticas energias.
Há um ritmo de estrelas que se dissolvem num alento final de luz
E emudecem, encerrando em seu ventre um poder tão grandioso
Que não podemos sequer imaginar.
Todas estas harmonias compõem a música na qual ele se deleita;
O universo inteiro é o trono da Sua presença.
O Senhor santifica a imensidão,
Sua doce respiração percorre as alamedas vazias do universo.
Há uma palpitação de amor sustentando a morada das constelações.
 
Bom seria, ó Deus, navegar em ti,
Sobre as tuas asas mergulhar na escuridão,
Acompanhar um raio de luz prateada no seu périplo em teu reino.
Porém, tu nos contemplas — a obra de tuas mãos!
Observas as nossas imperfeições, e não te agradas do que vês.
Então, envias o teu filho, teu único e precioso filho,
Para que habite conosco, em nosso próprio espírito.
E assim, santificados nesta presença, podemos enfim ser um contigo.
 
Posso sentir em meu espírito a palpitação das tuas grandezas;
Posso habitar em teu universo.
Senhor, tu tens suportado a iniquidade dos homens,
Todavia o ruído da transgressão cessará, e a eternidade
E o júbilo infindo permanecerão.
Veremos face a face a tua maravilha. Ó perfeito gozo!
Para sempre o esposo e a esposa na eterna vibração do amor.

SÚPLICA

Deus meu, que conheces as respostas,
Tu, Senhor, que avalias os caminhos dos homens
E consideras as razões dos seus corações;
Deus meu, a ti estendo, em súplica, as minhas mãos,
Imploro o teu perdão e a tua luz
Para os meus caminhos tão obscurecidos.
 
Parado estou à beira desta estrada,
Na encruzilhada da vida,
Sem saber para onde dirigir os meus passos.
Meu coração está pesado, minhas costas vergam,
Os meus joelhos vacilam — eu arquejo
Sob esta carga ingente!
Se, no entanto, pretender depô-la,
E por um segundo respirar aliviado,
E por um instante repousar meus olhos na paisagem...
Não consigo, Senhor!
Pois este fardo tão pesado tornou-se parte de mim,
Está firmemente atado às minhas costas.
 
Como o mosquito que prendeu a si mesmo na teia da aranha,
Da mesma forma fiquei eu preso nas consequências de meus erros.
Desmancha esta teia, meu Deus, com um sopro
Da tua boca, com um simples olhar!
Tira de meus pulsos as algemas e as pesadas correntes,
Pois sou por elas conduzido para onde não quero ir.
 
Restaura, Senhor, a minha vida
E faz-me andar na plenitude da tua bondade.
Pois tu, ó Deus, permitiste que nas minhas tribulações
Eu pudesse, ainda, aprender valiosas lições.
Que eu tome alento, então, antes que passe como a sombra.
Leva-me para junto das águas de descanso,
Para os verdes prados onde o alimento é abundante.

ESPERANÇA 1

Penso, às vezes, que estás próximo de mim,
Que poderias responder-me. Mas, ah!
Por que não escuto a tua voz?
Por que, Senhor, este silêncio indevassável,
Minhas palavras chocando-se contra um alto muro,
E nem ao menos tenho a certeza que me ouves?
Eu sei que tu és um Deus justo, que és único,
E tudo criaste com perfeição.
Acaso haveria algo que não poderias realizar?
Algum obstáculo intransponível para ti,
Uma muralha alta demais,
Uma pedra demasiadamente pesada,
Ou alguma situação excessivamente complicada,
Que não a tornasses simples e resolvida?
 
Quem entrará no teu santo templo, Senhor?
Quem habitará com as chamas?
Na grande congregação há júbilo e deleite,
Na comunhão dos teus ungidos.
Fora há trevas, ranger de dentes, choro.
 
Ó Deus, abre para mim esta porta!
Não me recuses o teu Santo Espírito,
Pois os meus pensamentos têm sua própria vida.
Senhor, como me amedrontam os meus pensamentos!
Tal como uma manada de búfalos que não se podem deter
Eles avançam contra a minha consciência, cercam-me,
E só de vê-los aproximando-se eu desfaleço
E perco a esperança.
 
Perdão, oh Deus,
Pois abandonei o meu Éden.
Não foi apenas uma vez
Que comi do fruto da árvore proibida.
 
(tal conhecimento afasta-nos de ti)
 
E agora, Senhor, como retornar à pureza original?
Não tenho como voltar, e nem ao menos sei como ir em frente.
Cego, só posso caminhar conduzido pela tua mão.
 
Que bom, então, seria, ó Deus, se repentinamente
Aliviasses o fardo da minha tribulação,
Se enviasses socorro inesperado.
Seria como acordar saindo das densas trevas de um pesadelo,
Seria tal como foi para Pedro quando,
Liberto da prisão e da morte certa, um anjo conduziu-o,
Sonolento, por entre as portas do cárcere que se abriam
Sem que ninguém as tivesse tocado.
Logo, ele pôde sentir a brisa fria da noite em seu rosto,
E, num instante, a vida invadiu-lhe os sentidos.
 
Eu sei, Senhor, que contigo está a chave para a minha libertação.
Só tu podes abrir as pesadas cadeias
E anular as consequências dos meus erros,
Pois observas cada minuto da minha luta;
Alimentas o transgressor na sua prisão.
 
Repentinamente, uma luz brilhou sobre Pedro,
Quando tudo ao seu redor eram trevas,
E ele caminhou na ruazinha, sob o manto da noite,
E alegrou sobremaneira o coração dos discípulos.

LAODICÉIA

Ó Deus! Tua rádio, agora, toca músicas banais,
Celebrando o amor de homem e mulher.
 
(A oferta se adapta à demanda ou cria a demanda?)
 
Onde estão os hinos, os hinos de louvor?
 
Deus, não estás cansado
De tanta música ruim?
Tua igreja enriqueceu,
Nada lhe falta dos prazeres mundanos;
Vestiu as roupagens do Século nos teus hinos,
E agora os levitas cantam com voz esganiçada,
Existencialista, enquanto
Um pianinho pop faz o fundo.

PERSEVERANÇA

A verdade tem de ser tão simples
Como as estações que vem e vão,
Sem desapontar-nos nem uma vez —
No devido tempo, aqui elas estão.
 
A verdade tem de ser como a flor
Que se atira na terra ainda semente,
E, contendo em si a futura cor,
No seu tempo desabrocha, não mente.
 
Não deixemos nunca de buscá-la!
No coração a pedir e com as mãos a bater
Em sua porta, haveremos de encontrá-la.
 
Pois mais fiel e verdadeiro não há
Do que aquele que já nos fez saber:
Pedi, e recebereis; batei, e abrir-se-vos-á.

ORAÇÃO 2

Oh guia-me, Senhor,
Pois não sei como andar
Nesta escura floresta.
 
Se pretender conduzir-me
Sem a tua ajuda, meus pés,
Certamente, me levarão por
Falsos caminhos,
Caminhos que conduzem
A lugar nenhum.
Porém, entrego a ti a direção;
Clamo a ti, estendo-te a mão,
Aspiro tua doce presença.
 
E a caminhada, que ora inicia,
Já chegou ao fim.

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Frases - Frase Sobre a Beleza da Poesia

O poeta busca, às vezes pagando por isto o preço que a maioria dos homens não está disposta a pagar, a beleza mais pura e a oferece numa bandeja de ouro àqueles que, embora sentindo necessidade desta beleza, não querem empenhar as suas vidas para encontrá-la onde estiver — mas a querem mesmo assim.

Frases - Frase Sobre Poetas

Tudo na poesia deve ser dito e descrito com beleza, aquela beleza que só os bons poetas são capazes de capturar. Talvez porque a amem e procurem mais do que os outros homens.

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

A Raridade da Poesia




Se o filósofo tem apenas uma grande ideia a respeito de um dos milhares de assuntos ou aspectos de assuntos que fazem parte das nossas conjecturas, o que ele pode fazer com ela? Pode, quando muito, escrever uma pequena tese, um aforismo ou máxima para ser apresentado ao mundo conjuntamente com outros textos que, como aquele, se esgotam em poucas linhas. O que não deixa de ser uma grande vantagem: poder declarar uma importante verdade com exíguas palavras. Porém, é nas mãos do poeta que domina a sua arte que a ideia simples, lapidar, tem a grande oportunidade de se apresentar nos atavios de uma verdadeira obra de arte: um poema completo. O poeta, de posse daquela ideia acalenta-a, fá-la crescer e ter companheiras — frases que se não a tornam mais compreensiva ao menos a cercam de beleza. O poeta tem direito a digressão, a descrição, ao repouso, em meio à enunciação de sua tese, à sombra da árvore frondosa, ao vôo com o pássaro no brilhante firmamento. Tudo isto se incorpora aquilo que poderia ser dito de maneira sucinta. E assim a idéia torna-se poesia, ergue-se como caule ao redor do qual se estendem os ramos de variadas formas, com folhas vistosas onde se escondem os pássaros e de onde eles desferem o seu canto que ecoa no vale ou colina aprazível onde a árvore foi plantada pela imaginação do poeta. Não bastassem estes recursos de que se serve o vate, ainda lhe estão disponíveis todas as possibilidades enriquecedoras das sílabas bem escolhidas e submetidas ao metro, enaltecendo o ritmo tão propício aos humanos ouvidos, e das rimas bem-feitas que são a sua coroa. É isto, portanto, o que tão conspicuamente distingue o poeta do filósofo ou do ensaísta. Têm, estes últimos, pensamentos grandiosos que envolvem muita argumentação para serem expostos com clareza, pois são sempre aqueles poucos temas que tem sido a preocupação constante da mente humana, tais como a forma ideal de governo, a ética mais justa, o sistema econômico perfeito, a imortalidade da alma... Temas estes que sempre foram muito discutidos e a respeito dos quais se escreveram a maioria dos livros sérios. Ninguém pode aventurar-se nesses assuntos sem servir-se desta montanha de erudição, sem interpretá-la ou contestá-la a sua maneira. Entretanto a poesia não diz respeito, geralmente, a estas poucas idéias grandiosas e antinomias kantianas, porém àquelas inumeráveis questões que são tão ou mais importantes, pois decidem o próprio rumo de nossa existência. A poesia é, em suma, existencialista no bom sentido. Até mesmo o poema épico, fantasista, transuda exemplos que nos auxiliam a viver e tomar decisões valiosas para o curso de nossas ações. O bom poeta é, então, além de mestre absoluto no trato com as palavras escritas, também aquele que abunda em grandes pensamentos iluminados, que não são, contudo, aqueles pensamentos abrigados no panteão dos temas mais clássicos da filosofia. Ele é até mesmo mais original, mais fecundo que o pensador limitado aos temas maiores, temas estes que já estão dados a milhares de anos. Pode ele fazer um lindo poema, por exemplo, aconselhando um amigo sobre como tratar uma mulher coquete e presunçosa. Ou, simplesmente, a recordar quadras queridas de sua existência, tais como a sua passagem por uma instituição de ensino e as amizades que lá desfrutou. O valor de uma lágrima. Coisas assim. Tudo, porém, dito e descrito com beleza, a beleza que só os bons poetas são capazes de capturar. Talvez porque a amem e procurem mais do que os outros homens. E nisto se resume a questão toda: o poeta busca, e às vezes pagando por isto o preço que a maioria dos homens não está disposta a pagar, a beleza mais pura e a oferece numa bandeja de ouro àqueles que, embora sentindo necessidade dessa beleza, não querem empenhar suas vidas para encontrá-la onde ela estiver — mas a querem mesmo assim. Como disse Keats, um daqueles que mais buscou e encontrou a beleza da vida: “A thing of beauty is a joy for ever”.


José Cassais

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Poesia - Estratégia


ESTRATÉGIA

 

Poesia não resolve muita coisa:

O coração cultiva a semente da dor

A fim de contemplá-la

Em flor entreaberta.

 

A semente é quase indestrutível,

Mas a flor pode ser queimada.