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sexta-feira, 25 de abril de 2025

Poesia - Contemplação V

 




CONTEMPLAÇÃO V

 

Sócrates diria que a natureza sendo bela,

E possuindo-a alguém, por estar em comunhão com ela

De nada mais teria necessidade,

Pois o Bom e o Belo, que afinal são a mesma coisa,

Não podem desejar o que não lhes falta.

 

No entanto, não é possível negar

A beleza suprema da natureza,

Nem é solução dizer

Que ela é intermediária entre o Belo e o Feio.

Ela é bela simplesmente, em si mesma,

Como cada coisa bela é uma beleza em separado.

 

E a luz nunca se sacia de luz.



segunda-feira, 21 de abril de 2025

Poesia - Contemplação IV

 


CONTEMPLAÇÃO IV

 

É bom ficar aqui sentado enquanto posso,

Redescobrindo a mim mesmo como parte

Desta natureza mutável —

Foi para este fim que Deus me criou.

Amar a natureza e comungar com ela

Não tem nada a ver com flauta de Pã,

Epicurismo ou sei lá mais o quê!

 

Meditando nessas coisas,

E sem querer dar o braço a torcer,

Certos sujeitos que chamam a si mesmos de “cientistas”

Inventaram uma tal Hipótese Gaya,

Como se a própria terra fosse um deus ou deusa,

Ou como se a ideia fosse nova, não tivessem já os gregos

Pensado nisso há tanto tempo!



Poesia - Contemplação III

 


CONTEMPLAÇÃO III

 

Cada novo dia a natureza veste sua mais bela roupa,

Veste de chuva ou sol, cada qual melhor costurada.

Deus disse que o encontraríamos na natureza,

Que ela é obra e testemunho perene de suas mãos.

Cada crepúsculo é insuperável como obra de arte

Que ele compõe utilizando nuvens e céu e sol e vento.



Poesia - Contemplação II

 


CONTEMPLAÇÃO II

 

A natureza é hora alegre a mais não poder,

Depois torna-se sensual e convida ao prazer.

Às vezes é triste, mas de uma tristeza bela,

O tipo de tristeza que a gente sente

Quando toca a orla de uma beleza inefável.

Ou, então, ela nos transforma

Em místicos contemplativos,

Sentados sobre a erva como folhas caídas,

Sendo acariciados pelo mais leve roçar da aragem

Na dança de huris das folhagens.



sábado, 19 de abril de 2025

Poesia - EternaNovidade

 


ETERNANOVIDADE

 

As águas deslizam

Num leito regular.

 

Contudo,

A cada dia brilham

De forma diferente.



Poesia - Horizonte II

 


HORIZONTE II

 

A morte e o verme

Estão a serviço da terra

Que deseja construir cristais

E montanhas de calcário

Sobre as quais

The Roaring Winds passeiem,

E um sol nasça

Ou se ponha.



Poesia - Horizonte I

 


HORIZONTE I

 

Ali onde o horizonte se mostra ao olhar

A estrada se contorce.

Amanhã onde estaremos?

Certamente, haverá sol ou chuva.

Seja como for estarei contente

E tocarei minha flauta.

 

E quando o aguilhão do tempo se fizer sentir

Na carne murcha a morte virá,

Com pés precipites, buscar a roupa velha

A qual lhe pertence.



quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

Poemas - Gray


GRAY

 

Um velho atravessando a rua.

 

Um velho de boné,

Com uma pequena bolsa de couro, preta, na mão.

 

Um velho parecido com Neruda.

 

Um velho pisando nos para lele pípedos,

Carregando a manhã cinzenta para casa,

Onde o espera uma mulher velha.

 

Quando todos os dias serão cinza.

 

E o vento agita as árvores malvestidas.



DIÁSPORA

Passaram as tardes e as noites
Em que havia risos e conversas,
E o povo reunia-se singelamente
Para cantar e louvar
Aquele que os mantinha unidos.
 
Por fim, cada um buscou o seu próprio interesse,
Corações e mentes errantes,
Tropeçaram e caíram.
 
Caíram para não mais levantarem?
Me genoito!*
 
Em algum lugar a história recomeça,
Mas um inimigo sonda os corações.
 
(Vigiai e orai, pois o inimigo é astuto
 e não quer o vosso bem).
 
*Em grego: “Tal não aconteça!” Paulo usava muito esta expressão.

PAZ NA TERRA

Vi ontem a bandeira ondulante
Acima das cabeças de milhares do teu povo;
Uma bandeira alva na noite iluminada por holofotes.
 
 JESUS REINA
 
No âmago da floresta mais densa repousaremos
Tranquilos, cobertos pelo teu doce amor.

AO DEUS DOS LIVRAMENTOS

(No Estilo de um Salmo)
 
O Senhor calou a voz dos meus inimigos, silenciou-os,
Pôs um freio em suas línguas quando eles zombavam de mim.
Ocultavam-se em densas trevas preparando armadilhas,
Mas o Senhor estendeu a sua mão poderosa
E eles ficaram aprisionados no seu próprio laço;
Caíram no buraco que estavam cavando para mim.
Agora alcanço compreender como sentia-se Davi
Quando entoava louvores ao Deus que livra dos perseguidores!
E, assim, também eu cantarei e louvarei a tua misericórdia.
 
Pois o Senhor estabeleceu um breve tempo
Durante o qual os iníquos elevam as suas vozes
A fim de se vangloriarem, cheios de vento e vãs murmurações,
Até que se encham as medidas das suas iniquidades,
Como foi nos dias de Abraão, e nos dias da escravidão de Israel.
Então ele chamou o Seu povo, e em suas mãos colocou a espada
Para exterminar da terra os que aborreciam as suas leis.
 
Ó Deus, também hoje, coloca em nossas mãos a espada
Da tua palavra, a fim de que o mal aninhado nos corações
Seja extirpado, e os praticantes de iniquidades envergonhem-se,
E calem-se, atemorizados à visão do Juiz que não esperavam.
Eis que eles avançam empurrando, blasfemando, derrubando à direita
E à esquerda; e caem, vão caindo no abismo a sua frente,
Tornados cegos pela própria maldade.
 
O Senhor, no tempo apropriado, responder-lhes-á:
A sua memória não permanecerá sobre a terra,
Nem haverá na grande congregação dos justos
Registro de suas vidas efêmeras.
Nós, porém, ouviremos a tua voz, ó Senhor,
E louvaremos a tua justiça
Que desde sempre nos tens concedido.

VISÃO

Penso em Hagar, a que conversava com anjos.

A água escapou-lhe do odre, e ela estava sozinha

No deserto, com o seu tenro filho.

 

Todavia, ela continuou no deserto por muitos e longos anos,

Sobreviveu ao sol escaldante, à sede...

Porque seus olhos foram abertos para enxergar a água

Que escorria, murmurante, da Pedra.

PROVAÇÃO

Ó Senhor... tu sabes o que me falta.
Conheces a extensão do meu vazio,
Pois foste tu que enjaulaste
Em mim esta fome.
 
Mas eu tenho que aprender a viver faminto
Na tua presença.

O CAMINHO E AS TENTAÇÕES

Preparou Deus um caminho exemplar
Para nele o cristão caminhar.
Mas o inimigo sutil plantou ao lado
Deste caminho mil motivos de pecado.
 
Não anda o cristão um metro sem achar
Isca adornada que lhe atraia o olhar;
Como árvores vão surgindo em sequência
Objetos de cobiça, ira, concupiscência.
 
Por isto, ó caminhante escolhido!
Dirige o teu olhar sempre para o alvo,
Pois a estrada é longa e o dia comprido.
 
Não te detenhas no que ao redor hajas visto,
Para ir da estrada ao fim é que foste salvo...
Para encontrar nos ares o Senhor, Jesus Cristo!

ANTIGAMENTE

Antigamente eu estava parado, inerte à beira de uma estrada
Por onde transitava o mundo num fluxo incessante
De formas desafiadoras e vagas.
Foi então que tu me tomaste pela mão, ó Senhor,
E me fizeste andar no caminho verdadeiro,
Caminho que conduz, afinal, à maior e mais importante cidade.
 
Fizeste-me andar, guiaste os meus passos,
Deste-me instrução falando aos meus ouvidos.
Desde então tu tens saciado a minha sede e alimentado a minha vida,
Ensinando-me tudo o que preciso saber.
À minha frente abriste, ainda, os teus cofres,
Expondo tesouros infinitos de incalculável valor.
 
Nada me falta, Senhor, pois tu és o Pastor a me guiar
Aos pastos verdejantes e às águas cristalinas;
Nada me faltará, pois és tu que despertas em mim o querer,
E em mim operas, pelo teu infinito poder, o realizar.
 
Ensinas-me tudo o que necessito aprender — à um estalar dos teus dedos
Logo se apresentam os meus professores, e, quando ordenas,
Imediatamente aparecem os instrumentos onde posso praticar.
O teu desejo é fazer de mim um homem completo,
Para que eu te sirva com a plenitude do meu ser.
 
Dou graças à tua bondade, que sempre se segue à tua misericórdia!
Elevo a minha voz para exaltar o teu cuidado, o qual dispensas
A todos os que de ti se aproximam.
Obrigado, Senhor, tu que despertas os que de há muito estavam mortos,
E fazes andar os que já nasceram inválidos.
Só em ti há sentido e plenitude para a vida dos homens,
Somente tu tens a resposta para todos os nossos questionamentos.

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

CONVITE SUPREMO

Senhor, quão maravilhoso é isto, que tu me aceitas!
E, ainda mais, que estas pessoas que a ti pertencem
Olham para mim e me estendem as suas mãos,
E vem falar comigo acerca de ti.
 
Se não fosse assim, como eu poderia saber o que tens para mim?
Todavia, me tens enviado tantas cartas...
Por dias, semanas, meses e anos.
Se não tivesses contemplado a minha pequena existência,
Nem mesmo terias permitido aos teus filhos me honrarem
Com um tal convite que me deixa pasmo.
 
Senhor, como é que tu me enxergaste enquanto eu estava andando
No interior de pântanos malcheirosos,
E como é que decidiste que eu poderia ser chamado “Filho”?
Pois conheces muito bem a minha frágil natureza,
E o quanto é para mim pesada qualquer uma de tuas leis mais suaves.
 
Porém, me julgaste capaz de cumpri-las todas,
Até a mais difícil, e para tal tarefa me elegeste.
Aqui estou, Senhor. Permite que a minha vontade
A tua acompanhe, faz-me conhecer o fruto dos teus caminhos.
 
Eu agradeço por todos os teus filhos que me enviaste.
Eu os amo, todavia, tu conheces quão imperfeito é este meu amor.
Mas se eu permanecer em ti ele atingirá a plena estatura,
Ainda que no meio da viagem o meu velho eu se perca.
 
Eu não quero temer afogar-me no rio do teu Espírito.
Senhor, arrasta-me nesta correnteza! Que eu possa ser,
Verdadeiramente, um de teus filhos.
Nunca afastes de mim a tua palavra e o teu olhar.

TUA PALAVRA

Não posso afastar-me, nunca, de tua palavra, ó Senhor!
Ela é o porto seguro onde busco ancorar o navio de minha dúvida.
Tu a puseste ao alcance de cada homem,
E a ela podemos sempre retornar após um dia difícil.
 
Eu a quero ao meu lado, constantemente,
Meu coração sempre disposto a buscá-la,
Ainda quando a dúvida vier nele a se instalar.
Destarte, meus ouvidos estarão atentos à tua voz.
 
Tua voz, tua palavra, purifica-me de toda impureza,
Aconselha-me sem cessar e jamais me abandona.
Com a tua palavra preencherei cada espaço vazio do meu coração,
Com ela combaterei as trevas que avançam.
 
Fala comigo, então, ó Senhor, sempre que eu te buscar.
Não emudeças, não permitas que ande em círculos;
Nunca jamais me abandones.
Pois meus pés apressam-se para o mal,
E o meu coração busca sempre o que não lhe convém.
 
Porém, se eu escutar a tua voz não estarei sozinho
Combatendo a lei do mal em meus próprios membros.
Abrirei as janelas para que entre a tua luz, permitirei que me ensines.
E isto é tudo o que exiges de mim:
Que eu te ouça, que não feche meus ouvidos.
 
“Se quereis perguntar, perguntai. Voltai, vinde!”

PASSAGEM

- E a vida, como vai?
- É só uma fase. Vai passar.

PRESENÇA

Lendo o Salmo noventa tive um vislumbre da glória do Senhor.
Ele habita em luz inacessível, no âmago da escuridão silenciosa;
Para ele o universo entoa sua canção e toda a vastidão do cosmos vibra,
Pulsa em cadências de fantásticas energias.
Há um ritmo de estrelas que se dissolvem num alento final de luz
E emudecem, encerrando em seu ventre um poder tão grandioso
Que não podemos sequer imaginar.
Todas estas harmonias compõem a música na qual ele se deleita;
O universo inteiro é o trono da Sua presença.
O Senhor santifica a imensidão,
Sua doce respiração percorre as alamedas vazias do universo.
Há uma palpitação de amor sustentando a morada das constelações.
 
Bom seria, ó Deus, navegar em ti,
Sobre as tuas asas mergulhar na escuridão,
Acompanhar um raio de luz prateada no seu périplo em teu reino.
Porém, tu nos contemplas — a obra de tuas mãos!
Observas as nossas imperfeições, e não te agradas do que vês.
Então, envias o teu filho, teu único e precioso filho,
Para que habite conosco, em nosso próprio espírito.
E assim, santificados nesta presença, podemos enfim ser um contigo.
 
Posso sentir em meu espírito a palpitação das tuas grandezas;
Posso habitar em teu universo.
Senhor, tu tens suportado a iniquidade dos homens,
Todavia o ruído da transgressão cessará, e a eternidade
E o júbilo infindo permanecerão.
Veremos face a face a tua maravilha. Ó perfeito gozo!
Para sempre o esposo e a esposa na eterna vibração do amor.

SÚPLICA

Deus meu, que conheces as respostas,
Tu, Senhor, que avalias os caminhos dos homens
E consideras as razões dos seus corações;
Deus meu, a ti estendo, em súplica, as minhas mãos,
Imploro o teu perdão e a tua luz
Para os meus caminhos tão obscurecidos.
 
Parado estou à beira desta estrada,
Na encruzilhada da vida,
Sem saber para onde dirigir os meus passos.
Meu coração está pesado, minhas costas vergam,
Os meus joelhos vacilam — eu arquejo
Sob esta carga ingente!
Se, no entanto, pretender depô-la,
E por um segundo respirar aliviado,
E por um instante repousar meus olhos na paisagem...
Não consigo, Senhor!
Pois este fardo tão pesado tornou-se parte de mim,
Está firmemente atado às minhas costas.
 
Como o mosquito que prendeu a si mesmo na teia da aranha,
Da mesma forma fiquei eu preso nas consequências de meus erros.
Desmancha esta teia, meu Deus, com um sopro
Da tua boca, com um simples olhar!
Tira de meus pulsos as algemas e as pesadas correntes,
Pois sou por elas conduzido para onde não quero ir.
 
Restaura, Senhor, a minha vida
E faz-me andar na plenitude da tua bondade.
Pois tu, ó Deus, permitiste que nas minhas tribulações
Eu pudesse, ainda, aprender valiosas lições.
Que eu tome alento, então, antes que passe como a sombra.
Leva-me para junto das águas de descanso,
Para os verdes prados onde o alimento é abundante.